Qual o papel do farmacêutico nas terapias com plantas medicinais e óleos essenciais?

Quando imaginamos um farmacêutico trabalhando, geralmente vêm a nossa mente as drogarias, os medicamentos sintéticos e a indústria farmacêutica. No senso comum, é raro associarmos o papel do farmacêutico associado à terapia com plantas medicinais e óleos essenciais.

Isso acontece, possivelmente, porque muitas pessoas desconhecem o fato de que plantas medicinais e óleos essenciais também são alopáticos!

São uma forma de alopatia natural, você sabia disso?

Plantas e óleos têm efeitos farmacológicos, que podem ser medicinais ou tóxicos, ou seja, têm mecanismos de ação parecidos com os dos medicamentos sintéticos. Esse mecanismo é chamado de alopático, porque seus efeitos são contrários aos efeitos causados pela doença que está sendo tratada.

 

 

 

 

O papel do farmacêutico no uso da fitoterapia

 

A fitoterapia é uma das áreas de atuação do farmacêutico. Mas, não de todos os farmacêuticos. Exige-se uma capacitação para que o farmacêutico possa exercer essa forma de atuação.

O farmacêutico faz, após a graduação em Farmácia, um curso de capacitação ou especialização, oferecido por um Conselho regional de Farmácia, e é então habilitado a realizar atendimentos clínicos de Fitoterapia (Resolução CFF 546/2011 e Resolução CFF 585/2013).

Prescrever plantas medicinais e fitoterápicos a um paciente não é tão simples quanto os blogs e canais de fitoterapia no youtube fazem parecer. Esta prática depende de capacitação técnica e olhar humano.

 

 

Habilidades envolvidas no atendimento clínico de Fitoterapia

 

Fazem parte do papel do farmacêutico:

  •  a escuta e compreensão da condição do paciente
  • a definição de qual prática terapêutica será mais adequada à condição e à preferência do paciente. Sim, é necessário encontrar uma forma de utilização que seja a melhor possível para o paciente. Se uma terapia gera mal estar, a possibilidade de que haja melhora é reduzida, pois o paciente tende a abandonar a terapia
  • a definição da prática terapêutica, que geralmente é farmacológica (alopática), requer que seja feita uma estratégia para utilização: como e quantas vezes a planta/fitoterápico será utilizado, por quanto tempo, quais os possíveis efeitos adversos etc. Se o paciente faz uso de outras medicações, essa estratégia é ainda mais complexa, pois será necessário avaliar como a planta/fitoterápico e medicamentos sintéticos interagem quimicamente no organismo, antes de fazer a prescrição. Você sabia que algumas plantas podem anular ou potencializar o efeito de alguns medicamentos?
  • a comunicação com outros profissionais de saúde, caso o paciente esteja em tratamento. Essa comunicação interprofissional permite que um tratamento mais abrangente e eficaz seja oferecido ao paciente
  • a orientação farmacêutica, essencial para que o paciente utilize a planta/fitoterápico de maneira correta.
  • o acompanhamento do paciente, essencial para identificação da condição de saúde do paciente, eficácia do tratamento e possíveis reações adversas (fitovigilância).

 

 

 

O papel do farmacêutico no uso da aromaterapia

 

A Aromaterapia é uma área de atuação ainda não regulamentada no Brasil como atividade específica a algum profissional. Porém, a Aromaterapia é parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), podendo ser utilizada como uma prática complementar e integrativa a outros tratamentos de saúde.

Isso que dizer que os óleos essenciais podem ser indicados como parte da terapêutica, mas, não podem ser prescritos.

Esta é uma área que ainda requer regulamentação, pois os óleos essenciais são concentrados de princípios ativos vegetais. Um óleo essencial pode ser considerado como o equivalente a vários medicamentos juntos, em um mesmo frasco.

É um uso complexo, que pode trazer tanto benefícios quanto riscos à saúde.

Para um uso seguro e eficaz de óleos essenciais, é necessário ter conhecimentos técnicos de farmacologia, toxicologia e bioquímica.

Um óleo essencial, assim como uma planta medicinal ou medicamento sintético, tem um percurso no organismo, quando é ingerido ou aplicado na pele. Esse percurso inclui vias de metabolização de vários órgãos. Se utilizado inadequadamente, pode sobrecarregar o funcionamento de um órgão, causar intoxicação ou mesmo levar à morte.

A inalação, uma outra via posológica de uso dos óleos essenciais, também é delicada de ser utilizada. Uma simples inalação pode prejudicar os pulmões, principalmente em casos em que haja problemas crônicos pulmonares, ou mesmo causar agitação no Sistema nervoso central.

Se vamos ter benefícios ou reações indesejadas com o uso de óleos essenciais, isso é resultado de uma escolha criteriosa do responsável pela indicação de  um óleo essencial para um paciente. É uma escolha que, assim com na fitoterapia, requer a compreensão da situação de saúde do paciente.

 

 

 

O farmacêutico tem um papel fundamental nos cuidados com a saúde

 

Já vimos que para que seja possível indicar ou prescrever um tratamento, é necessário antes uma compreensão da situação de saúde do paciente. E entender uma situação de saúde requer conhecimentos de fisiologia.

Não basta saber a indicação terapêutica de uma planta medicinal ou óleo essencial e suas contra indicações. É necessário entender como o organismo humano funciona em estado saudável e em estado doente.

Essa compreensão requer ainda um olhar individualizado. Os pacientes não devem ser rotulados com uma doença.

Um bom cuidado de saúde trata de pessoas, e não de doenças. Entender de fisiopatologia, o processo de adoecimento do organismo, e fitofarmacologia, como um ativo vegetal faz seu efeito medicinal e/ou tóxico no organismo, é apenas uma parte do processo.

O profissional farmacêutico tem condições técnicas para promover o uso correto e seguro de plantas medicinais e óleos essenciais.

Valorize o profissional farmacêutico especialista no uso das terapias com ativos vegetais. Há muito estudo, capacitação, atualização constante e experiência por trás de uma simples prescrição terapêutica!

 

 

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Nathânia Frutuoso, farmacêutica habilitada em Fitoterapia clínica pelo Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais. Fundadora e responsável técnica da ÂNIMA Laboratório & Escola de Farmácia natural.

 

 

Outras atividades do profissional farmacêutico relacionadas ao uso de plantas medicinais

As terapias homeopática e antroposófica, que também utilizam plantas medicinais como matéria prima, são áreas de atuação do farmacêutico. Essas práticas não são formas de alopatia natural, como a fitoterapia e a aromaterapia, mas também requerem conhecimentos específicos para a correta aplicação.

 

 

Sempre busque profissionais capacitados para te orientar

A sua saúde é valiosa!

Nós, aqui na ÂNIMA, acreditamos que, além de uma excelente formação técnica, o farmacêutico deve ter uma sólida formação humana. Não basta ter a base técnica sem ter a capacidade de compreender as necessidades do outro. Por isto, a base do nosso trabalho é constituída pela técnica em união com o olhar individualizado. Unir estas habilidades fazem parte do papel do farmacêutico.

Cuidamos de pessoas, ajudando-as a construir a sua saúde e bem-estar!

 

 

Bibliografia

 

ALKIMIM, A. C. Prescrição Farmacêutica de Fitoterápicos. Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais, 2017.

ATIVIDADES FARMACÊUTICAS, acessado em 25/09/2020 às 10 hs. www.cff.org.br.

CORRER, C. J.; OTUKI, M. F. A prática farmacêutica na farmácia comunitária. Porto Alegre: Artmed, 2013.

MASTROIANNI, P; VARALLO, F. R. Farmacovigilância para promoção do uso correto de medicamentos. Porto Alegre: Artmed, 2013.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/42737-ministerio-da-saude-inclui-10-novas-praticas-integrativas-no-sus  , acessado em 25/09/2020 às 10:20 hs.

SANTOS, J. G. Jr. Psicofarmacologia dos óleos essenciais. Instituto Brasileiro de Aromatologia, 2019.

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