“Pode me passar a receita?”

Sobre receitas de cozinha & da Farmácia natural

Não sei de que época você é, mas, deixa eu te contar uma coisa. Se você for da minha época, talvez reconheça essa situação. Na fase da adolescência, que eu vivi no interior de Minas Gerais, quando eu pedia receita de culinária pra uma tia ou uma senhorinha, geralmente eu tinha a resposta “Vem me visitar uma hora, que eu te passo com calma”. Era o que eu ouvia quando pedia pra alguém me passar uma receita.

As coisas tinham outro significado e um outro ritmo, sabe?

“Passar uma receita” significava compartilhar uma memória. Geralmente, a receita era passada enquanto estava sendo feita ou na forma de contação de história, ao redor de uma mesa, compartilhando um café com biscoitos.

A receita, às vezes, vinha com um causo junto, e isso era maravilhoso. Com a presença dos causos, a gente lembra da receita pra vida toda.

Compartilhar receitas era compartilhar memórias e saberes, enquanto se vivenciava uma nova história.

Por isto, muitas receitas carregam consigo memórias afetivas. Vivenciávamos algo bom, enquanto estávamos tendo contato com a receita pela primeira vez.

 

 

Memória que têm cheiro e afetividade… Registro do curso-vivência Farmácia natural (foto: Fernanda Preto)

 

 

Me passa a receita… e me conta uma história?

 

Hoje, quando qualquer coisa pode ser encontrada com facilidade na internet, esses acontecimentos são cada vez mais raros e correm o risco de desaparecer.

As receitas das mães, tias e vós vão perdendo valor pra muita gente. Afinal, se dá pra encontrar qualquer tipo de receita pela internet, então pra que pegar a receita da tia?

Eu sou daquelas pessoas que sempre valorizam as histórias que me contam. E, quando experimento uma boa comida, vou atrás de quem fez e peço pra saber de tudo, inclusive, de onde a receita surgiu! Meu caderno de receitas têm sempre o nome de quem me presentou com aquela preciosidade, o lugar onde foi feita a partilha e algum causo ou ensinamento de vida que veio junto!

Daria até pra publicar meu caderno de receitas, de tão rico que ele é. É um sonho meu compartilhar essas memórias com outras pessoas, e, quem sabe, inspirá-las a resgatar e fortalecer esse hábito de ouvir e compartilhar histórias.

A Clarrisa Pinkola Estés, autora de “Mulheres que correm com os lobos”, fala que as histórias são bálsamos que ensinam e curam.

Acredito que as receitas também são bálsamos medicinais.

 

me passar a receita com uma história

Receitas carregam histórias consigo. Foto: Marcella Karmann

 

 

Passar uma receita de Farmácia natural é terapêutico

 

As receitas culinárias, quando são partilhadas desse jeito que eu falei, são muito terapêuticas! São ensinamentos que vão muito além do alimento para o corpo.

E aí, quando olhamos para as receitas da Farmácia natural, vemos que elas são bálsamos, literalmente, por serem medicinais, mas, que podem ser bálsamos também no sentido psíquico e emocional.

Ensinar uma receita de Farmácia natural requer responsabilidade, pois estamos lidando com plantas e óleos que têm potencial terapêutico e, também, tóxico. É algo muito sério lidar com a vida do outro, não é?

Somente por isso já se entende que, quando alguém pede: “Me passa a receita?”, não dá pra fazer isso de qualquer jeito.

É necessário preparar o terreno para, então, finalmente, passar a receita.

Não adianta você ter acesso a várias receitas de Farmácia natural se você não sabe antes o que vai ser adequado pra você.

Não somos organismos padronizados. Temos necessidades e características distintas.

É um pouco parecido com esta situação: vou te ensinar a fazer creme de brócolis. Mas, você tem algum tipo de alergia a brócolis. Daí…essa receita será ruim pra você.

Precisamos conhecer a nós mesmos e conhecer os recursos que vamos utilizar (plantas e óleos).

Aí sim, podemos utilizar as receitas com sabedoria!

 

 

Passar uma receita de Farmácia natural é compartilhar sabedoria

 

A luz da sabedoria é a guia para o uso correto das medicinas naturais. (Foto: Marcella Karmann)

Sabedoria em Farmácia natural é utilizar o que é mais adequado para sua individualidade, sem correr riscos ou com riscos minimizados.

Eu sei disso por ser farmacêutica. Mas sei também o poder de aprendizado que há em se vivenciar uma história. Por isso, ensino “receitas” de Farmácia natural com muita experimentação e partilha de saberes.

Faço isso te convidando pra sentar junto, tomar um chá e conversar.

Igual as senhorinhas falavam: “vem aqui uma hora com calma, que eu te ensino”.

Vem com calma, que vai ter uso seguro desses maravilhosos recursos naturais e vai ter muita memória boa pra guardar.

Uma outra hora, vai ser você ensinando pra uma pessoa querida.

Tenho certeza de que, depois de vivenciar o caminho alquímico da Farmácia natural, você vai dizer a mesma coisa…

Vem com calma que eu te ensino.

 

 

 

 

 

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